terça-feira, 20 de agosto de 2013

Temporariamente dedicado à bobage

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Experiência profissonal: Vida

Quais são seus planos?
Vamos começar por ser feliz.
Ser feliz é uma qualidade? Ou um ponto do caminho que conseguimos alcançar?
Filosofia à parte, ser feliz é estado, não valor.
Temos problemas e somos felizes, temos soluções.
Somos saudáveis, temos disposição.
Estamos vivos, temos vontade.
Temos razão para sermos felizes, esperança.
Um rabisco de criança, um talento, um dom, expectativa.
Felicidade.
Conhecimento.
Alvo.
Só uma vida.
Ponto.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Quando não havia o medo

No Trem da Morte, que ia de Santa Cruz de La Sierra a Porto Quijarro,
ninguém esperava que o último dia de um roteiro de 20 dias por Bolívia, Chile, Peru
seria esticado por novos lugares, pessoas e risadas; até um senhor entrar no
vagão e anunciar com um "portunhol": "A partir daqui, o trilho está
inundado pelas águas do pantanal boliviano". Faltavam menos de 30 km
para chegarmos ao nosso destino!
Sem opção, ficamos naquela estação, onde o único sinal de civilização
era uma tenda. Lá, espantamos o calor úmido com cervejas geladas (sim, GELADAS), enquanto
observávamos outros passageiros espremerem-se em transportes improvisados para
atravessar os três lagos formados pelas chuvas. Até a
lua despontar, pensávamos que eles eram loucos. Depois, quando a noite
chegou e os anunciados ônibus não, notamos o engano: loucos éramos nós!
O jeito foi nos juntar aos que tinham ficado e caminhar para uma estrada de terra, mortos de fome, delirando por um
transporte, qualquer que fosse. De repente, um alvoroço: um caminhão! Com um pouco de conversa e bolivianos (moeda local), abriram a carroceria
para a cambada abandonada subir. Foi um empurra-empurra de gente e malas
arremessadas até todos se acomodarem em pé. Para comemorar, o pisco -
recordação da viagem - virou brinde. E, sob uma lua cheia,
atravessamos os pontos alagados, com um sorriso grudado no rosto de terra.

sábado, 26 de junho de 2010

Indigestão

Triste, com medo, azia. Distantes. Ele se esforça, até me busca na rodoviária quando faz frio, mas, sei: pegou bode. Na volta pra casa, eu, mascando chiclete; nós atordoados com o vento gelado de fora; ele, de vidro escancarado para não escutar o barulho. “Qual barulho?” “Seu, de chicletes!” “Hã?” Murchei. Ele também. Me deu um selinho, seco; fui dormir, ele ficou. O sono não veio. Veio angústia, quase dor. Quando se deitou, me enrolei nele, mas já dormia, fingia. Acordou com nova senha de e-mail, atendendo aos meus pedidos que nunca desejei realizados. Ligo, ele me atende; nós... distantes. Semana passada, quis, eu quis mudar de prato, de casa, de vida. Nesta, esperava fartar-me de feijão com arroz. Tarde? Ele se vai tarde?

Placebo

Uma hora a gente tem coragem, rompe a zona de conforto, e acaba se encontrando. Só acreditando nisso para superar, mesmo que momentaneamente, o pânico de não saber para onde ir.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

sexta-feira, 26 de março de 2010

Crônica clichê

Semana do cão, dia humilhante. Escutando merda o dia inteiro, recebendo setas envenenadas, envenenando-me de inveja. Na volta, a chuva, o trânsito. Não liguei, juro! Pelo menos não na primeira hora, enquanto permanecíamos – eu, motorista e fotógrafo - estáticos dentro da van, assistindo a um concerto de buzinas. Tapei os ouvidos com Karnac e assim passei as demais duas horas - e 13 km, acreditem! - que nos separavam do destino. Cheguei com a bexiga estourando. Um pouco mais e descia ali mesmo para um exibicionismo escatológico. Tudo bem. Respire pelo nariz, Adriana, conte até três e solte o ar pela boca. Ufa! Veja pelo lado bom: pelo menos, não apresentava os sinais típicos de um paulistano estressado, como a dor de cabeça, o enjoo e, principalmente, a chatice que acometiam meu colega de trabalho desde o dia anterior. Eu, pelo contrário, levava adiante a meta de me tornar uma pessoa ponderada, o que, resumidamente, significava engolir sapos sem perder a pose. Segui comportando-me como uma lady, enquanto, por dentro, dinamites explodiam. Mas, só por dentro. Com o semblante de calma - muito invejado numa situação destas -, encarei o metrô. Decisão estúpida, ok. Na estação amarrotada, a luz branca deixava ainda mais evidente a nossa condição de cagados. Foram uns 20 minutos sacando tudo quanto era gente até chegar a minha vez de me espremer naquele troço. Vai tomar no cu, seu Kassab! Que ódio deste fdp! Fica lá, gastando meu dinheiro com a Marginal, à toa. É rio, entende? Escoa, transborda e logo logo vai engolir suas obras, amém! Mas você deve passar imune às enchentes, enquanto penteia o topete no banco de passageiro do seu Tucson. Sim, porque é dever de todo cidadão médio-classista ter um Tucson. Uns segundos e o estouro repentino foi asfixiado pelo sovaco de um tio que insistia em contradizer a lei da física: dois corpos NÃO ocupam o mesmo espaço, no mesmo tempo. Vamos contar: um... dois... Contar é o caralho! Chega! Foi a gota d'água. Abri o berreiro ali mesmo, dei de louca, bufei toda a pimenta. Uma recaída. Humpt! Respire pelo nariz, conte até três e solte o ar pela boca. Nada de desistir. Se não chover, amanhã consigo ser fina